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Almack’s

Atualizado: 13 de jun. de 2023



ilustração de George Cruikshank
Ilustração por George Cruikshank

Se pudéssemos citar um lugar conhecido por qualquer leitora de romance de época este seria o Almack’s.


Frequentar seus renomados salões era um dos principais objetivos das famílias aristocráticas que desejavam estar no centro das atenções da Ton.


Fundado pelo escocês William Macall, sendo o nome Almack’s derivado das sílabas de seu próprio sobrenome, o clube original foi estabelecido na St. James Street em 1763 como um local de apostas e jogos de cartas.


Em 20 de fevereiro de 1765, Macall comissionou um espaço na King Street. Por 10 guinéus, era possível desfrutar dos três salões disponíveis onde bailes e jantares eram servidos uma vez por semana durante a temporada social. Em seus anos iniciais, o Almack’s fornecia um espaço para que as mulheres da aristocracia pudessem se encontrar para jogar cartas.



Almack's
Fachada do Almack’s – Artista desconhecido. Museum of London (1800)

Em 1781, a sobrinha de Macall herdou o prédio. Ao lado do marido, Willis, criou um dos locais mais disputados de Londres em uma época na qual o prestígio social ditava as regras. Para manter a imagem de exclusividade do Almack’s, estabeleceram um comitê formado por damas bem-nascidas, as chamadas patronesses, que eram responsáveis por administrar os vouchers de acesso dos suntuosos salões de colunas douradas. A lista dos afortunados favorecidos jamais ultrapassava a marca de duzentos membros.



Almack’s Assembly Rooms
Almack’s Assembly Rooms – William Heath 1795-1840 – Fonte: New York Public Library

Apesar da comida insossa oferecida (limonada sem graça era uma triste realidade) e das danças muito bem regulamentadas e vigiadas (nada de toques indevidos e proximidades entre os parceiros), ser agraciado com um voucher era um dos pontos altos da vida em sociedade e motivo de grandes expectativas para as mães casamenteiras, visto que os melhores partidos eram encontrados nos salões do Almack’s. As reuniões aconteciam às quartas-feiras, seguindo o descanso semanal do Parlamento, para que os nobres cavalheiros pudessem comparecer.




almack's voucher
Voucher do Almack’s utilizado na temporada de 1817 pela Marquesa de Buckingham © The Huntington Library, San Marino, CA

As patronesses do Almack’s eram reconhecidamente arbitrárias em suas avaliações e escolhas. Ser bem nascido ou possuir uma imensa fortuna não garantia ter o nome incluído na lista de membros. Geralmente, o comitê avaliava a beleza dos interessados, a inteligência, o refinamento e aptidões para a dança.


Ser convidado a frequentar os seletos salões em uma temporada não significava ser escolhido na próxima. Também era comum que fosse liberada a entrada de uma lady, mas não a de seu marido e vice-versa. Uma ofensa direcionada a qualquer uma das patronesses poderia resultar em banimento definitivo.


Após obter os vouchers e adquirir os tickets de entrada, os novos membros eram obrigados a seguir regras estritas de comportamento e códigos de vestimenta.


Nem mesmo o Duque de Wellington, com toda a influência e poder que possuía na corte, escapou das rigorosas normas impostas pelas ladies do Almack’s. Foi impedido de adentrar os salões em duas ocasiões: em uma noite ao chegar após o horário do fechamento das portas, que ocorria religiosamente às onze da noite, e outra por não utilizar o modelo de calça considerado adequado pelas patronesses.


Acreditem se quiser: o famoso duque, que liderou as maiores campanhas militares contra as forças de Napoleão Bonaparte, foi barrado por uma singela calça pantalona!



um dândi com calça pantalona
Pantalonas? Não!

 

Fonte







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